Está finalmente impresso o meu Como um ofício.

Este livro comemora vinte anos de vida literária, entre a edição de Vestígios [2000] e Autópsia [2019].

Em agosto de 2001, juntei uns poemas para um novo livro e enviei-os por correio ao José Tolentino Mendonça que, passados uns dias, escreveu-me de Lourdes: «Quando acabar o verão hei de ler os teus poemas». No final do ano, enviei ao Valter Hugo Mãe [então editor das Quasi Edições] um livro intitulado Quando o verão acabar, que seria publicado em 2002. Em 2004 seriam publicados dois livros: Para morrer [nas Quasi Edições] e Melopeia [que inaugurou a chancela Cosmorama]. Em 2005, outros dois: O fogo e outros utensílios da luz [Quasi Edições] e Assim na terra [Cosmorama]. Seguem-se Zerbino [Cosmorama, 2007] e Oráculo [Quasi, 2008]. 

Veio depois o tempo da Diáspora [Cosmorama, 2009], livro no qual defini o meu corpus poético e que foi três vezes reeditado. E, em 2017, foi publicado Antípoda [Casa Mãe] e, passados dois anos, a Porto Editora reuniu a minha poesia em Autópsia.  

Perdi a conta às apresentações, aos encontros, às leituras. Nestes vinte anos, a minha poesia integrou antologias e manuais escolares, foi traduzida para várias línguas foi e publicada em vários países europeus e latino-americanos. Mas o mais importante foram as pessoas, as conversas e os amigos que a poesia me trouxe pela mão. 

Numa fase em que trabalho num novo livro de inéditos, a edição de Como um ofício não é apenas um objeto de comemoração, mas – sobretudo – de gratidão.