Foi há cem anos que morreu o Francisco Marto, no dia 4 de abril de 1919. Recentemente, a Fundação Francisco e Jacinta Marto [www.pastorinhos.com] pediu-me que escrevesse um poema para cada um dos pastorinhos. Este foi o que escrevi para o Francisco:

Os olhos crescem
verticais
como se em lugar nenhum
sopesassem
a voragem
da luz,
o silêncio.

Esconde-te.
Há quanto tempo não desperdiças
a paisagem, pergunto.
Há quanto tempo
não olhas
para trás.

No declive da tua sombra
os olhos crescem.
Pelo inverno em pousio
o rebanho acautela o silêncio
sob as trajetórias
côncavas
dos pássaros.

E tu não ouves.

Há quanto tempo te escondes, pergunto.
Há quanto tempo te escondes
onde os olhos crescem.