José Rui Teixeira coordena o projeto MNEMOSINE, que incide sobre poetas e contextos histórico-culturais específicos, procurando recuperar a sua memória, desenvolvendo dinâmicas de arqueologia cultural e literária, documentando e publicando narrativas biográficas e obras poéticas.

Inicialmente, o projeto estava centrado no estudo da vida e da obra de Guilherme de Faria, poeta que nasceu em 1907, em Guimarães, e que pôs fim à sua vida no princípio de 1929, na Boca do Inferno, em Cascais. Guilherme de Faria publicou sete livros de poesia: «Poemas» [1922], «Mais Poemas» [1922], «Sombra» [1924], «Saudade Minha» [1926], «Destino» [1927], «Manhã de Nevoeiro» [1927] e, editado postumamente, «Desencanto» [1929]; também póstuma, mas organizada de acordo com as suas indicações, foi a edição da antologia «Saudade Minha (poesias escolhidas)» [1929]. Foi poeta e editor, correspondeu-se e relacionou-se com os mais importantes poetas e artistas portugueses do seu tempo. A sua poesia compreende-se no contexto do neorromantismo lusitanista e do saudosismo integralista, e habita o âmago da tradição lírica portuguesa. Poeta de um passadismo nocturno, elegíaco e doce que só se realiza em diálogo com a morte redentora, Guilherme de Faria acabou por ser esquecido, devido à sua morte tão prematura, às especificidades quase anacrónicas da sua poesia e à proximidade ideológica ao Integralismo Lusitano.
José Rui Teixeira começou a estudar a vida e a obra de Guilherme de Faria em 2006. Desde então, dedica-se à recuperação, identificação e transcrição de documentos do espólio do poeta e à reedição e divulgação da sua poesia. Nasceu assim o projeto MNEMOSINE, com o objetivo de restituir a memória de Guilherme de Faria à História da Literatura Portuguesa. Em 2013, publicou a sua dissertação de doutoramento em Literatura: «Vida e Obra de Guilherme de Faria. Os versos de luz por escrever».
| Guilherme de Faria

O projeto MNEMOSINE, numa parceria com a Cosmorama Edições e com a Cátedra Poesia e Transcendência [UCP Porto] desde 2013, foi integrando outros poetas, foi estendendo o seu contexto histórico-cultural e literário e foi-se [re]centrando no estudo da vida e obra de autores cuja memória foi esmaecendo, entre os quais se destacam António Sardinha, José Bruges d’Oliveira e António Pedro.