Foi há dois anos.
No dia 17 de setembro de 2015: Porto, Lisboa; Lisboa, Nantes; alugámos um Fiat 500; visitámos os alinhamentos de Carnac; passámos o fim de tarde diante do Atlântico — ali, por Trinité-sur-Mer — e terminámos o dia em Quiberon.
Depois de Lorient [no dia 18], seguimos de ferry [na manhã do dia 19] até à ilha bretã de Höedic, onde Yann Tiersen atuaria ao entardecer, na praia de uma aresta insular virada a norte. Tendo sabido que, durante a tarde, Yann Tiersen estaria na praia a experimentar o recém-chegado piano, sentei-me ali, num ligeiro declive, a uns cinco metros do músico e compositor bretão [que nasceu em Brest, em 1970]. Esperei uma hora para que nos encontrássemos. Pouco depois, Yann Tiersen ausentou-se e algumas centenas de pessoas chegaram à praia; o músico regressou e a noite caiu enquanto escutávamos “La Valse d’Amélie”, “Les Jours Tristes”, “La Noyée”…
Na manhã do dia 20 de setembro, regressámos a Quiberon; depois a Nantes e, finalmente, ao Porto. Trouxemos — em memória silente — esse lugar desocupado, tempo indefinido, uma espécie de poética do encontro. É isso, “c’etait ici”.

Hoëdic, 19 de setembro de 2015: 4.ª edição do festival Les Insulaires.
José Rui Teixeira, Luís Branco, Yann Tiersen e Daniel Castro Neves.