Eis que termina 2017.
Se, por um lado, gosto de balanços… por outro, tenho cada vez mais dificuldade em compartimentar cronologicamente a minha experiência de temporalidade. Sinto que 2017 foi um ano muito intenso. Viajei muito: estive duas vezes em Roma, duas vezes em Paris e duas vezes em Barcelona [três cidades de referência nos últimos anos]; estive em Bruxelas [no Parlamento Europeu: 60 Years of European Union. Citizens’ Parliament 2017: changing times, lasting values], em Salamanca [num ciclo de conferências sobre Fátima promovido pela Universidad Pontificia: El fenómeno de Fátima en Rusia, España y Portugal], nas Astúrias [em Villaviciosa, na VII Xunta d’Escritores Asturianos] e nas Ilhas Baleares [em Palma de Maiorca, nas IX Jornades de Cultura Portuguesa]; percorri três vezes o Caminho de Santiago [uma vez o Francês e duas vezes o de Fisterra].
Em 2017 terminou o meu primeiro triénio como diretor pedagógico do Colégio Luso-Francês. Redigi o Ideário para as escolas das Irmãs Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora e um novo Projeto Educativo para o CLF. A avaliação do triénio foi muito positiva… apesar das dificuldades inerentes à direção pedagógica de uma instituição com essas características, dimensões e expectativas. Melhorámos significativamente os nossos resultados nos exames nacionais [tanto no 3.º ciclo, como no ensino secundário] e o número de alunos cresceu 3.5% durante o triénio. Mas o melhor é sempre aquilo que não é dimensível, nem quantificável: há ali um FUTURO que se faz desde 1936.
Em 2017 a comunidade da Capela de Fradelos teve de abandonar aquele espaço… vítima de um certo despotismo clericalista que lamentavelmente ainda persiste. Reinventei — com a ajuda do João Angélico — o website do P. Leonel Oliveira: www.leoneloliveira.org. E colaborei intensamente com o Santuário de Fátima, no contexto do centenário das Aparições [destaco a coordenação do caderno temático sobre o Imaculado Coração de Maria do n.º 7 da FÁTIMA XXI – Revista Cultural do Santuário de Fátima — e a conferência na Jornada de Abertura do Ano Pastoral, no Centro Pastoral Paulo VI].
No que diz respeito à academia, 2017 foi um ano muito fecundo: pronunciei dezasseis conferências e assinei sete publicações. Infelizmente, não tive tempo para preparar a edição do meu projeto de pós-doutoramento: ACERCA DO DESTERRO: HERMENÊUTICA LITERÁRIA E ARQUEOLOGIA CULTURAL. Dei continuidade à minha colaboração com o Centre de Recherches Interdisciplinaires sur les Mondes Ibériques Contemporains [Université Paris-Sorbonne] e com o Instituto de Pensamiento Iberoamericano [Universidad Pontificia de Salamanca]; e acerquei-me do Grup de Recerca Filosofia i Cultura [Facultat de Filosofia da Universitat Ramon Llull, Barcelona] e do Centro Interuniversitario per lo Studio del Romanticismo [Università di Bologna]. Coordenei — na condição de diretor da Cátedra Poesia e Transcendência — dois colóquios internacionais, ambos no Centro Regional do Porto da Universidade Católica. Em março, o Colóquio Internacional em Homenagem a Raul Brandão nos 150 anos do seu Nascimento e no Centenário de HÚMUS. E, em julho, o Colóquio Internacional Poesia e Transcendência, no qual intervieram — entre outros — Daniela Camacho, María Negroni, Miriam Reyes e José Tolentino Mendonça.
No que diz respeito à literatura, em 2017 foi reeditada a minha poesia reunida — DIÁSPORA [Cosmorama] — e o Valter Hugo Mãe publicou o meu novo livro de inéditos: ANTÍPODA [Casa Mãe]. Conversei — numa sessão inesquecível promovida pela Cátedra Poesia e Transcendência | UCP Porto — com o Rui Nunes, com o Jorge Melícias e com o Valter Hugo Mãe. Participei na apresentação do novo livro do José Tolentino Mendonça no Teatro Nacional de S. João [PORTO DE ENCONTRO] e fui entrevistado pelo Sérgio Almeida [COMPANHIA DOS LIVROS | JN]. Como editor da COSMORAMA, publiquei dez livros, entre os quais se destacam ESPELHO NEGRO de Miriam Reyes, ARTE E FUGA de María Negroni, EXPERIÊNCIA BUTOH de Daniela Camacho e A MARGEM DE UM LIVRO de Rui Nunes.
O ano termina com um intensivo trabalho em torno da memória de Guilherme de Faria: foi organizado, arquivado e documentado o espólio de António Hartwich Nunes: cerca de trezentos documentos seus e de Guilherme de Faria… impressivos testemunhos de uma amizade rara e comovente [entre 1921 e 1929]. No dia 4 de janeiro de 2018, no 89.º aniversário da morte de Guilherme de Faria, será [re]inaugurado o website www.guilhermedefaria.com.
Mas o mais importante foi aquilo que não cabe num balanço. O mais importante foram as pessoas que fizeram de 2017 um tempo — desdobrado em lugares — de Encontro. Não me canso de citar esse poema de Herberto Helder onde se lê: “Começa o tempo quando se une a vida à nossa gratidão”. Sinto-me muito grato por 2017. Que comece 2018.