Em dias de efeméride invade-me, invariavelmente, uma incontida nostalgia da infância.
Sinto saudades da gravidade do tempo por esses dias, da lentidão com que passava. Saudades da presença orgânica das estações e de certas estâncias, do modo como olhava o mundo… e do modo como o mundo se deixava olhar. Saudades do aconchego dos fins-de-tarde, do bolo de batata e do chá de cidreira, de um certo desadorno com que se adornavam os dias. Talvez não consiga ensinar aos meus filhos a densidade demorada desse tempo que coexistia com a morte… mas que era, ainda assim, maior do que a morte.