Carlos de Lemos nasceu no dia 3 de janeiro, em Lalim, Tarouca. Formou-se em Direito, na Universidade de Coimbra, mas dedicou a sua vida ao ensino, tendo terminado a sua carreira no Liceu Passos Manuel, em Lisboa, em 1937, depois de ter lecionado em escolas da província. Além da intensa colaboração literária e sociopolítica em várias publicações, dirigiu — juntamente com Beatriz Pinheiro [1872-1922], sua esposa — a revista ‘Ave Azul’ que, entre 1899 e 1900, contou com a colaboração de Manuel da Silva Gaio, Camilo Pessanha e Eugénio de Castro, dos irmãos Carlos e Roberto de Mesquita, de Fausto Guedes Teixeira, Ana de Castro Osório Delfim Guimarães, Afonso Lopes Vieira e António Correia d’Oliveira, entre outros.
Como poeta, Carlos de Lemos estreou-se em 1893, com ‘Miragens’, livro que abre com a secção ‘Anterianas’, constituída por sonetos glosando outros do mestre, a cuja memória é dedicado e de quem inclui uma carta-prefácio que termina com estas palavras: “Conservarei os seus versos entre os papéis que guardo com mais estima”.
Em 1943, com 76 anos, Carlos de Lemos imprime Palingenésia [por iniciativa de Gaspar Baltar], edição que reúne quatro livros: ‘Palingenésia’, ‘Geórgica’, ‘Estrela d’Alva’ e ‘Coroa de Saudades’. Este último livro é dedicado à esposa do poeta: Beatriz Pinheiro, que foi poetisa, professora do ensino primário e pioneira do movimento de emancipação feminina. A sua morte, em 1922, deixa Carlos de Lemos viúvo com apenas 55 anos e motiva este comovido e comovente soneto:

“Cá vim!… Tinha de ser!… Oxalá não!…
Oxalá, meu Amor!… eu não viesse!
Que nenhum de nós aqui tivesse
De enterrar, ainda vivo, o coração!

Viver um, só enquanto o outro vivesse,
Levando-se um ao outro pela mão…
E, chegados à última estação,
Morrer um, quando o outro lhe morresse!

Um beijo nossas almas fundiria
Numa estrela com asas!…– afinal,
O beijo que te dei na boca fria,

Ó minha companheira estremecida!
Foi-me nele a alma, foi! mas, por meu mal,
Nem me deu morte a mim… nem a ti vida!”

Carlos de Lemos viria a morrer em 1954, com 87 anos.
Passados 151 anos do seu nascimento, a sua obra espera merecida reedição.