O meu amigo Carlos Fernandes publicou por estes dias «O ABC do Petrus», um livro que acompanhará — domingo-a-domingo — a liturgia do Ano B, com leituras, reflexões e atividades para uma pastoral familiar e catequética mais consequente. É uma excelente ferramenta para uma evangelização criativa e integrada, fundamentalmente em contexto familiar, mas também no âmbito das catequeses das comunidades cristãs.
Escrevi o prefácio deste livro:

Preocupa-me muito a perceção que a Igreja tem de si própria. Com o tempo, passou a ser um fim em si mesma, ou seja: passou a ser uma realidade sociologicamente muito complexa e rígida, uma organização autocentrada e estruturalmente sobredimensionada em relação ao seu princípio e ao seu fundamento. A Igreja — a “assembleia” — é o meio, o caminho para o Reino de Deus, é o tempo-espaço comunitário onde preferencialmente se realiza o encontro pessoal de cada um com Deus. Não o esqueçamos: a Igreja não é um fim em si mesma, mas um meio para o Reino de Deus, promessa prospetiva desdobrada todos os dias no presente, no quotidiano… esse estaleiro.
Nesse sentido, a missão da Igreja — enquanto ação de cada cristão na observância do Sermão da Montanha, a nossa “regra de vida” — é evangelizar. Tudo o resto é secundário e acessório: vem por acréscimo. Evangelizar deveria ser o resultado expectável da aquisição da consciência batismal, a consequência natural de ser e existir em configuração com Cristo. Uma Igreja que não evangeliza não é um meio para o Reino de Deus e uma Igreja que não é um meio para o Reino de Deus não é de Cristo… é um produto social e histórico-cultural, sujeito à erosão do mundo, como todas as coisas que são do mundo.
E se é verdade que é preciso pensar em novas estratégias de evangelização para o nosso tempo — o contínuo “aggiornamento” que nos foi lembrado pelo Concílio do Vaticano II —, também é verdade que a expressão “nova evangelização” está gasta de ser repetida e não ser consequente. O que precisamos é de novas estratégias e novas ferramentas para a “evangelização de sempre”.
Só alguém sedado — ou enfermo de uma qualquer espécie de autismo — é que não percebe o que sociologicamente está a acontecer à Igreja, sobretudo nos últimos vinte anos. É preciso repensar as comunidades e as suas funcionalidades de evangelização, ou seja: a sua relação umbilical com o Evangelho. É preciso recentrar a ação da Igreja no querigma.
E é essa a funcionalidade deste livro: é uma ferramenta de evangelização, dentro ou fora do contexto eclesial, como complemento da evangelização familiar, comunitária e mesmo escolar — particularmente no âmbito das escolas católicas. O fundamento e o propósito deste «O ABC do Petrus» é o querigma. Não é de ensinar, mas de anunciar. Não nos ajuda a ensinar, mas pode ajudar-nos a aprender a evangelizar. Este livro guarda o futuro.

PREÇO: 12€
ENCOMENDAS: oabcdepetrus@gmail.com